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Barbosa Lessa e a Bombacha

Se hoje, não temos vergonha de usar uma bombacha em qualquer lugar ou ocasião, em muito devemos essa conquista a um piratiniense que, ao lado de outros jovens valorosos, devolveu ao povo rio-grandense a consciência cultural que também se manifesta no uso da vestimenta que o diferencia dos outros povos.

Este piratiniense se chama LUIZ CARLOS BARBOSA LESSA. Nasceu em uma chácara nas imediações de Piratini, em 13 de dezembro de 1.929. Poderia ter sido mais um guri, filho de um médico e de uma professora de piano. Poderia ter sido mais um jovem, preocupado apenas com seu futuro profissional.

No entanto, o corpo franzino de adolescente abrigava um espírito criativo e preocupado com a preservação dos elementos culturais de nosso Rio Grande do Sul.

Na infância, quando habitou a casa em frente à Praça da Igreja Matriz de Piratini, brincava com outros meninos junto ao obelisco comemorativo com o rosto de Bento Gonçalves. A brincadeira era quem conseguia pular mais alto e tocar no queixo do General Farroupilha.

Quando foi estudar em Porto Alegre, com quinze anos de idade, Barbosa Lessa percebeu uma indiferença dos moradores da Capital pelas tradições gaúchas, a ponto de quase ninguém saber informar onde ficava a estátua eqüestre de Bento. O povo porto-alegrense aos poucos se esquecia de cultuar os hábitos gaúchos, a Coca-Cola era a bebida da moda, havia muitos restaurantes mas nenhuma churrascaria – eram, enfim, alguns dos efeitos do resultado da II Guerra Mundial com os valores norte-americanos a serem passados como verdade absoluta.

Mas em 1.947, Barbosa Lessa, então com 18 anos, viu um grupo de oito jovens, a cavalo, em pleno centro de Porto Alegre, que acompanhava a condução dos restos mortais do general farrapo David Canabarro e lhes perguntou:
   -“Quem são vocês e o que pretendem com isso?”
   A resposta veio de Paixão Côrtes, e o argumento foi tão convincente que o sonho dos cavalarianos ganhou mais um adepto: o próprio piratiniense. Daí em diante, essa juventude preocupada com o rumo de sua história não mais parou: veio a fundação, em 1.948, do primeiro CTG do mundo, o “35”.

As primeiras composições musicais regionalistas (como “Negrinho do Pastoreio”), pesquisas de danças folclóricas, e sempre o destaque para o tímido e franzino Barbosa Lessa, dono de variado talento (escritor, compositor, poeta, teatrólogo...). O primeiro documento básico do Movimento Tradicionalista Gaúcho é também sua criação.

Em 11 de março de 2.002, nosso artista polivalente deixa o convívio físico com familiares, amigos e admiradores. Sua vontade é cumprida: é sepultado no cemitério municipal de Piratini. O túmulo, com justiça, dia a dia se torna lugar de visitação obrigatória de turistas, principalmente de tradicionalistas.

A dívida que nós, piratinienses, temos para com Barbosa Lessa é impagável. Uma das formas de amortizá-la talvez seja – como agora – prestando-lhe uma perene homenagem por meio desta página virtual que veicula a importância da bombacha – vestimenta característica do gaúcho, marca de uma gente que optou por ser brasileira no garrão deste Brasil de múltiplas cores e riquezas.



Juarez Machado de Farias
(Primeiro Acadêmico da Academia Piratiniense de História, titular da cadeira nº 1 que tem como Patrono Barbosa Lessa)


Shamsa - A bombacha que veste o Rio Grande
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